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São Paulo - Onze anos de autonomia |
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12 de February de 2009 |
Há 11 anos, em 9 de fevereiro de 1998, a Superintendência da Polícia Técnico-Científica foi criada pelo então governador de São Paulo Mário Covas para prover o trabalho policial com o que há de mais moderno e preciso na solução de crimes. Desde então, o órgão ao qual estão subordinados importantes aliados da polícia e da Justiça – o Instituto de Criminalística (IC) e o Instituto Médico Legal (IML) –, desenvolve trabalhos importantes como a análise de vestígios para a solução de crimes e a identificação de pessoas. Ontem (10), a SPTC celebrou seu 11º aniversário em um jantar comemorativo realizado na Casa da Fazenda, no bairro do Morumbi, evento que contou com a presença de diversas autoridades e pessoas que fizeram e fazem parte da história da instituição.
O superintendente da Polícia Técnico-Científica, Celso Perioli, acredita que esses 11 anos foram “de franca evolução no organismo policial e tem criado mecanismos que visam à garantia da imparcialidade da perícia, ao mesmo tempo em que lhe confere mais agilidade para acompanhar os avanços tecnológicos na era dos CSIs*”. O bom desempenho da instituição é confirmado pela análise realizada pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Gerencial, que comprovou que a capacidade produtiva da SPTC atende completamente a demanda, que é de cerca de um milhão de exames periciais por ano.
Antes visto somente em filmes, um laboratório de DNA forense foi instalado e, juntamente com instrumentos de coletas de provas mais sofisticados e luzes forenses, parece ter sido um prelúdio às novas tecnologias para desvendar crimes que chegam a cada dia. Hoje, a SPTC conta com aparatos para a identificação vocal, análise fragmentada de DNA, constatação de falsificação em remédios, presença de drogas no corpo humano, identificação de drogas, reagentes para manchas de sangue e até um tapete eletromagnético – que permite o levantamento e melhor visualização de deposições de materiais variáveis, tais como marcas de solados de calçados, marcas de ferramentas e pegadas.
O Instituto Médico Legal, até então visto como uma casa de horrores – palavras de Perioli –, mudou este quadro apostando em um novo conceito de melhoria das instalações e, principalmente, na maior qualidade de atendimento às famílias de vítimas da violência. Ele conta com núcleos de perícias especializadas: Clínica Médica, de Tanatologia Forense, Radiologia e Odontologia Legal, além de núcleos de exames, análises e pesquisas: Anatomia Patológica, Toxicologia Forense e Antropologia – todos com sede na Capital, junto à sede do Instituto.
A Polícia Técnico-Científica é, para o secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, “privilegiada por fazer uso da inteligência em substituição à força”. Ela abrange as seguintes carreiras: atendente de necrotério, auxiliar de necropsia, desenhista técnico-pericial, fotógrafo técnico-pericial, médico legista, oficial administrativo, perito criminal e técnico de laboratório.
A acidente do Airbus da TAM
O primeiro grande caso trágico vivenciado pela atual gestão do secretário Marzagão foi o buraco do metrô, ocorrido em 12 de janeiro de 2007. O mais grave, contudo, foi o acidente com o Airbus da TAM, vôo 3054. Na ocasião morreram 199 pessoas, número muito acima das até então 35 vítimas fatais que passavam diariamente pelo IML. A agilidade com que tomou decisões e a forma como Perioli tratou o caso, sem precisar de ajuda oferecida por outros estados do Brasil, foi elogiada pelo secretário, que confiou a ele e às equipes da SPTC honrar o nome das polícias de São Paulo. Para Marzagão, “apesar de ter sido uma situação difícil, foi mais um momento de afirmação da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, e da excelência dos serviços que presta”.
Nos momentos de sofrimento e dor pela perda dos entes queridos, uma comissão de parentes das vítimas do acidente foi ao IML e, ao chegarem e testemunharem o empenho de todos que ali trabalhavam, reconheceram a profundidade do trabalho e o comprometimento. “As famílias das vítimas viram homens vividos, com mais de 30 anos de experiência de atividade no IML, com lágrimas nos olhos”, concluiu Marzagão.
Metas para 2009
Mesmo com todo o avanço e conquistas conseguidos pela Polícia Técnico-Científica, Celso Perioli acredita que ainda há muito a ser feito. Para este ano, a instituição, que lidou com casos de grande repercussão recentemente, como o acidente do avião da TAM, o buraco do metrô, os casos Isabella e Eloá, as prioridades são a aquisição de novas viaturas e o encaminhamento da proposta da ampliação de 1.020 cargos de servidores, já prevista no plano plurianual. Sem contar com os outros 369 cargos que estão vagos e serão viabilizados por concursos públicos.
*CSI é a sigla em inglês para Crime Scene Investigations, ou, em português, investigações em cenas de crime.
Victor Conrado Amaro |
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